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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

VACINA CONTRA HPV – EFICÁCIA,IDADE,GÊNERO, EFEITOS E INDICAÇÕES

Vacina contra HPV sem limite de idade

ANVISA aprova vacina contra o Papilomavírus Humano para mulheres acima dos 25 anos. De acordo com a responsável técnica do serviço de vacinas do Hermes Pardini, a medida é um grande avanço para o combate do HPV, uma vez que as  mulheres acima dos 26 anos estão cada vez mais suscetíveis à doença.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou no dia 28 de junho de 2013 a vacina contra o Papilomavírus Humano 16 e 18 (recombinante) para mulheres a partir dos 9 anos, sem limite de idade. A medida estende a indicação da vacina - anteriormente recomendada para mulheres de 10 a 25 anos - a mulheres acima dos 25, possibilitando que estas tenham acesso à imunização contra o HPV com objetivo de prevenir o câncer de colo do útero.

A Dra. Marilene Lucinda, responsável técnica do serviço de vacinas do Hermes Pardini, afirma que a medida é um grande avanço para o controle do HPV. "O HPV tem dois picos: entre os 15 e 18 anos (início da atividade sexual) e entre 35 e 40 anos. Estatísticas da área de saúde tem apontado um aumento considerável no número de mulheres infectadas após os 26 anos de idade. A medida da ANVISA irá atingir esse grupo, possibilitando um controle maior sobre a proliferação das doenças provocadas pelo Papilomavírus Humano", afirma.

A ANVISA frisa que a medida só vale para a vacina produzida pela GlaxoSmithKline (GKS). A Cervarix - nome pelo qual é conhecida internacionalmente a vacina - oferece 93,2% de eficácia na proteção contra as lesões pré-cancerosas no colo do útero, pois  imuniza contra os tipos de HPV 16 e 18.


O câncer do colo do útero é uma das principais causas de morte em mulheres. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem aproximadamente 69 milhões de mulheres com 15 anos de idade ou mais, com risco de desenvolvê-lo. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou, no ano passado, 17.540 novos casos de câncer do colo do útero a cada 100 mil mulheres e mais de 4.800 mortes em decorrência da enfermidade.

A Dra. Marilene Lucinda ressalta que a vacinação é aconselhável antes do início da atividade sexual, mas as pessoas que já iniciaram também devem receber a vacina. Ela alerta ainda para a importância da vacinação, mesmo que a pessoa já tenha contraído o HPV, pois permanece susceptível à infecção por outros sorotipos. Além disso, ela pondera que "a vacina não dispensa o exame preventivo das mulheres e o sexo seguro, pois não protege contra todos os tipos de HPV e tampouco de outras doenças sexualmente transmissíveis."

O que é o HPV
É um vírus presente em humanos e animais, mas são específicos de cada espécie, portanto só os tipos específicos acometem o homem (vírus do papiloma humano). Existem mais de 100 tipos de HPV humano sendo que alguns preferem a pele, causando, por exemplo, verrugas, e outros têm preferência por mucosas (revestimento interno dos órgãos genitais, boca, região anal, etc). Mais de 40 tipos infectam as mucosas-colo do útero, vagina, vulva, reto, uretra, pênis e ânus. O tipo 16 tende a ser mais persistente, mas na maioria das vezes, se resolve em dois anos.

O vírus preocupa mais as mulheres, devido à probabilidade do câncer de colo do útero. Por isso é importante que a mulher diagnosticada com algum dos tipos mais graves tenham acompanhamento médico, permitindo assim o tratamento adequado antes que o câncer se instale.

O HPV é transmitido durante o contato de pele com a pele, muito frequentemente durante a relação sexual com penetração, embora a transmissão possa ocorrer sem penetração e no sexo oral. Dr. Guenael Freire, médico infectologista da Assessoria Científica do Hermes Pardini, explica que mulheres virgens raramente apresentam infecção pelo HPV (menos que 2%). "Quanto maior o número de parceiros, maior é o risco de infecção", conclui.

HPV em homens
Grande parte da população ouve falar sobre o HPV em mulheres, mas o vírus afeta também os homens. "O câncer de pênis pode ocorrer em homens infectados, mas é bem menos comum. Outra localização possível de câncer é na região anal, principalmente em pessoas portadoras do HIV", explica Dr. Guenael. Outro fato relevante é que a infecção pelo HPV é comum em relações homossexuais entre homens. 
           
HPV em crianças
O HPV pode ser transmitido da mãe para o bebê durante o parto, caso a mãe esteja infectada. A complicação mais frequente é o surgimento de verrugas laríngeas na criança, embora não seja comum. Recomenda-se que as mulheres com condilomas (verrugas) grandes na via de parto sejam submetidas à cesariana.
            
Tipos de HPV
Os tipos se dividem em duas categorias: a primeira está associada mais com lesões cancerígenas (alto risco) e a segunda, com verrugas genitais (baixo risco).  Os tipos 6 e 11 são os mais comumente associado às verrugas (condiloma acuminado) e os tipos 16 e 18 são mais relacionados à lesões malignas.

Vacina
A vacina protege as pessoas dos sorotipos mais comuns. Existem dois tipos de vacinas: a Bivalente, que protege contra os sorotipos 16 e 18, que são os principais causadores do câncer de colo de útero e outros cânceres genitais; e a Quadrivalente, que protege contra os sorotipos 6, 11, 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos cânceres cervicais e 90% dos condilomas ou verrugas. Atualmente, a única vacina aprovada para aplicação em homens é a Quadrivalente. Tanto a Bivalente quanto a Quadrivalente são aplicáveis em crianças.

Como diagnosticar o HPV
Nas mulheres: pode ser pesquisado em material proveniente de qualquer local da região genital (colo do útero, vagina, vulva) e região perianal, com o uso de escovinha especial. O vírus também pode ser identificado no material coletado para o exame preventivo, conhecido como Papanicolau. Existe ainda o PCR (reação de cadeira de polimerase), técnica que identifica o DNA viral. Os mesmos materiais biológicos acima podem ser utilizados. O exame pelo método PCR apresenta como vantagem a capacidade de definir qual é o tipo viral. Até o momento, não há exame de sangue capaz de determinar se existe ou não infecção pelo HPV.
Nos homens: no caso de verrugas genitais, a característica clínica é muito sugestiva e geralmente não são necessários exames complementares.

Tratamento
Para as lesões verrucosas, substâncias cáusticas (ex. alguns ácidos), crioterapia (congelamento) e cirurgia são alternativas possíveis. Já para lesões iniciais em colo de útero, a cauterização geralmente evita a progressão para o câncer, por isso é tão importante a realização de exames preventivos na mulher. Quando o exame preventivo mostra alterações mais intensas, pode ser necessária a realização de biópsia do colo de útero para definir o tratamento. 

VACINAS PARA ADULTOS | HPV

HPV: sigla do inglês para papilomavirus humano. 

Esta é uma vacina mais recente, fortemente indicada para TODAS as mulheres, a partir de 9 anos de idade até os 26 anos. Apesar da ANVISA ainda não ter autorizado o uso da vacina em mulheres acima de 26 anos, muitos países em todo mundo estão vacinando todas as mulheres acima desta idade, baseado nos estudos de resposta imune, segurança e eficácia demonstrada por esta vacina nas mulheres acima de 26 anos. O próprio FDA dos EUA já aprovou o uso da vacina nesta faixa etária. 

Esta é uma vacina importantíssima, pois previne a aquisição de câncer genital feminino, sendo o principal o câncer do colo do útero, além do câncer vulvar, vaginal etc. 

Trata-se de uma vacina muito segura, desenvolvida por engenharia genética, com poucos eventos adversos leves relatados com a vacinação. Esta vacina deve ser administrada preferencialmente antes do início da vida sexual, para que possamos ter 100% de proteção para os tipos de HPV contidos na vacina. O fato da mulher já ter vida sexual, não contra-indica a vacina, pois está demonstrado beneficio de proteção contra o HVP nesta situação. Como a vacina protege contra 4 tipos de HPV (na vacina quadrivalente) ou contra 2 tipos (na vacina bivalente), e como não sabemos se a mulher já foi exposta a o HPV e qual o tipo de HPV, a vacina está plenamente indicada para TODAS as mulheres, independente de sua atividade sexual. 

Estão disponíveis no mercado nacional e no Centro de Imunização Santa Joana, duas vacinas: uma quadrivalente, contendo proteção contra 4 tipos de HPV, os tipos 6, 11, 16 e 18 e outra bivalente contendo os tipos 16 e 18. Os tipos 16 e 18 do HPV são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer do colo do útero. Daí, estarem presentes em ambas as vacinas. Os tipos 6 e 11 são relacionados com a presença de verruga genital, sendo responsáveis por 90% delas. A verruga genital apesar de não ser um câncer, é um agravo à saúde masculina e feminina muito indesejável, de difícil tratamento, recidiva relativamente freqüente e que altera o estado físico e emocional do paciente. 

Em relação aos homens, apesar da vacina contra o HPV no Brasil ainda não ter sido aprovada pela ANVISA para esta finalidade, vários países já estão recomendando a vacinação nos meninos, a partir de 9 anos, a fim de minimizar a transmissão do vírus para as mulheres, e prevenir casos de câncer de pênis e anal, além da prevenção de verruga genital, conforme a vacina utilizada. Já existem estudos sobre a eficácia, segurança e resposta imunológica a vacinação do sexo masculino, tornando a vacina uma indicação para esta população. 

O esquema da vacinação é sempre com 3 doses, com intervalo de 1 a 2 meses entre a primeira e a segunda dose (dependendo do fabricante), e de 6 meses entre a primeira e a terceira dose. A via de aplicação é a intramuscular. 

A vacina contra o HPV está contra-indicada na gestante, por falta de estudos de segurança nesta população especifica. A vacina contra o HPV pode ser realizada concomitante a qualquer outra vacina. 

A realização rotineira do exame de Papanicolaou deve ser mantida, independente da vacinação. 







Vacina HPV
O Papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV, é um vírus transmitido pela via sexual, capaz de provocar verrugas genitais e os cânceres do colo do útero,  ânus, pênis e orofaringe.
A cada ano, cerca de 270 mil mulheres em todo mundo morrem por conta de tumores no colo útero provocados pelo HPV. No Brasil, estima-se que, anualmente, haja cerca de 15.000 casos novos de câncer do colo uterino.
Neste artigo vamos falar sobre a vacinação contra o HPV, suas indicações, eficácia e efeitos colaterais. Vamos falar também sobre os mitos que cercam a vacina contra o HPV.
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Se você está à procura de informações sobre o Papilomavírus humano ou verruga genitais, acesse os links:

Antes de seguirmos em frente, veja esse curto vídeo, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a vacinação contra o HPV.
vacina-hpv-video

SUBTIPOS DE HPV

Existem cerca de 150 subtipos do Papilomavírus humano, nem todos capazes de provocar verrugas ou tumores malignos. Destes 150 tipos, 12 deles provocam verrugas genitais, sendo os subtipos HPV-6 e HPV-11 os mais comuns, respondendo por 90% dos casos. 15 tipos de HPV provocam câncer de colo de útero, pênis, ânus e orofaringe, sendo os subtipos HPV-16 e HPV-18 os mais perigosos.
Em relação ao câncer, mais 70% dos casos são provocados pelo HPV-16 ou pelo HPV-18, motivo pelo qual esses dois subtipos são os alvos preferenciais das vacinas atualmente disponíveis.

VACINAS CONTRA HPV DISPONÍVEIS NO MERCADO

Existem no mercado 2 vacinas distintas contra o HPV. A vacina quádrupla, chamada Gardasil, atualmente disponível de forma gratuita no sistema público de saúde de vários países, age contra os subtipos 6, 11, 16 e 18. Esta vacina, portanto, protege contra os subtipos de Papilomavírus humano que mais causam câncer e que mais provocam verrugas genitais.
A outra vacina disponível no mercado, mas não no serviço publico, é a Cervarix, uma vacina dupla (bivalente) que protege contra os subtipos 16 e 18. Esta vacina age contra os HPV que provocam câncer, mas não sobre os HPV que causam verrugas genitais.
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No Brasil, desde o início de 2014, o Ministério da Saúde tem disponibilizado no SUS a vacina quádrupla para meninas entre 9 e 13 anos de idade.

QUEM DEVE SE VACINAR CONTRA O HPV

A vacina contra o HPV foi desenvolvida com o objetivo de reduzir os casos de câncer do colo de útero nas mulheres. Porém, por ser uma causa importante de câncer peniano e anal, correspondendo a cerca de 40% dos casos, a vacinação contra o HPV também pode ser feita em homens.
Atualmente, indica-se a administração da vacina quádrupla contra o HPV para homens e mulheres entre 9 e 26 anos. Em casos selecionados, quando o médico entender que a vacinação trará reais benefícios para o paciente, a vacina pode ser indicada também para pessoas acima dos 26 anos.
Do ponto de vista de saúde pública, entretanto, a vacinação em massa da população é feita de forma diferente. Como câncer de pênis ou ânus são tumores muito menos comuns que o câncer de colo uterino, e como a vacina contra o HPV é muito mais eficaz se tomada por pessoas que nunca foram expostas ao HPV, de preferência crianças que ainda não iniciaram a sua vida sexual, em muitos países, incluindo o Brasil, o calendário vacinal só indica a vacinação em meninas entre 9 e 13 anos de idade*.
Isso não significa que homens ou mulheres até 26 anos não possam recorrer ao sistema privado de saúde para se vacinarem, caso seus médicos entendam que a vacinação seja importante.
*Atualização (Outubro de 2016): segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a partir de 2017, meninos de 12 e 13 anos e pacientes HIV positivos de 9 a 26 anos também terão acesso à vacinação gratuita contra o HPV. A faixa-etária será ampliada, gradativamente, até 2020, quando serão incluídos os meninos de 9 a 13 anos.
Já ter sido contaminado previamente com um subtipo de HPV não contraindica a realização da vacinação. Se uma mulher está ou esteve contaminada com o HPV-18, por exemplo, a vacinação quádrupla serve para preveni-la contra os outros 3 subtipos de  Papilomavírus humano.
LEIA TAMBÉM:
– VACINAS NA GRAVIDEZ
Atualmente, por falta de estudos que comprovem sua segurança para o feto, a vacinação contra o HPV não está indicada para a gestantes. Por outro lado, durante o aleitamento materno não há contraindicações.
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Como a vacina é feita com vírus inativo, ela pode ser administrada em pessoas com HIV ou qualquer outra causa de imunossupressão.

EFICÁCIA DA VACINAÇÃO CONTRA HPV


Nos homens nunca expostos ao HPV, a eficácia da vacina é um pouco mais baixa que na mulheres, mas, ainda assim, atinge os 90%.
Quando tomada ainda na infância, antes do início da vida sexual, a vacinação tem uma eficácia de quase 100% na prevenção de tumores malignos do colo do útero provocados pelos subtipos 16 e 18.  Quando administrada em mulheres mais velhas, já com vida sexual ativa e, portanto, com maior risco de já terem sido previamente expostas ao HPV, a eficácia cai para apenas 44%.
A vacinação quando feita em mulheres que já estejam infectadas com o HPV-16 ou HPV-18 aparentemente não causa danos, mas também não apresenta nenhum efeito benéfico sobre  a atual infecção. É importante salientar que a vacina serve para prevenir o HPV e não para tratá-lo.
Atualmente, ainda não sabemos por quanto tempo a vacina confere imunidade. Como as vacinas são relativamente novas no mercado, a maioria das pessoas sob estudo ainda não tem 8 anos de vacinação. Por isso, para sabermos por quanto tempo mais uma pessoa ficará imune ao HPV após a vacinação serão necessários ainda mais alguns anos de estudos.
Ao contrário do que ocorre em várias doenças infecciosas, ainda não existem sorologias pós-vacinação para o HPV, ou seja,  exames de sangue que sirvam para medir a concentração sanguínea de anticorpos contra o papilomavírus humano após a vacina.
Entre os grandes estudos científicos que comprovam a eficácia da vacina contra o HPV, podemos destacar 3 deles:
– The FUTURE II trial – Estudo publicado na revista New England Journal of Medicine, com 12.000 mulheres de 15 a 26 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina quadrivalente apresentou 98% de eficácia na prevenção de casos de NIC 2, NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer de colo de útero.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=17494925
– The FUTURE 1 trial – Também publicado na revista New England Journal of Medicine. Estudo com 5.455 mulheres de 16 a 24 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina quadrivalente foi 100% efetiva na prevenção de verrugas anogenitais, neoplasias vulvar e vaginal, NIC1, NIC 2, NIC 3 e adenocarcinoma in situ.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=17494926
– PATRICIA (Papilloma trial against cancer in young adults) – Publicado na revista Lancet. Estudo com 18.000 mulheres entre 15 e 25 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina bivalente apresentou eficácia de 93% na prevenção de casos de NIC 2, NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer de colo de útero.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=19586656

DOSES DA VACINA CONTRA HPV

A vacina quádrupla é administrada habitualmente em 3 doses. O paciente toma a primeira vacina hoje e recebe mais dois reforços após 2 e 6 meses (chamamos de doses nos tempos 0, 2 e 6 meses). No Brasil e em alguns outros países que têm adotado a vacina quádrupla no calendário oficial o esquema tem sido feito de forma um pouco diferente. A segunda dose tem sido recomendada com 6 meses de intervalo e a terceira somente após 5 anos (tempos 0, 6 meses e 5 anos).
A vacina bivalente também costuma ser administrada em 3 doses, nos tempos 0, 1 e 6 meses.

PAPANICOLAU NAS MULHERES VACINADAS

Ter sido vacinada contra o HPV reduz consideravelmente o risco de câncer de colo uterino, mas não o afasta em 100%. Primeiro porque a vacina só cobre os 2 subtipos mais perigosos do HPV; segundo porque algumas mulheres já podem estar infectadas com algum tipo de HPV no momento da vacinação, não havendo efeito da vacina sobre essa infecção já em curso; e terceiro porque há casos, pouco comuns, é verdade, de câncer do colo do útero não provocados pelo HPV.
Portanto, de modo algum a vacinação exime a mulher de fazer o seu exame de Papanicolau rotineiro (leia: EXAME PAPANICOLAU – ASCUS, LSIL, NIC1, NIC 2 e NIC 3).

A VACINA CONTRA O HPV É SEGURA?

Apesar de alguns boatos que volta e meia circulam entre a população, a vacina contra o HPV é bastante segura. Seu perfil de efeitos colaterais graves é semelhante aos de outras vacinas presentes no calendário vacinal.
Infelizmente, toda vez que surge uma nova vacina, espalham-se na Internet e nas redes sociais campanhas de desinformação sobre os riscos de se vacinar, que servem apenas para alarmar a população e boicotar as campanhas de vacinação.
Para quem acredita em teorias da conspiração, apenas um dado mostra como a vacina não faz parte de nenhum plano mirabolante de controle populacional de governos ou da indústria farmacêutica: nos últimos 10 anos, somente nos EUA, mais de 80 milhões de pessoas foram vacinadas contra o HPV. Se 80 milhões de pessoas estivessem realmente sendo envenenadas através da vacina, como alguns boatos de Internet alegam, estaríamos atualmente testemunhando umas das maiores tragédias humanitárias de todos os tempos. Só como comparação, o holocausto dizimou cerca de 10 milhões de indivíduos, número que é 8 vezes menor que o de pessoas que já foram vacinadas contra o HPV, somente nos EUA.
Além das 80 milhões de pessoas que já foram vacinadas, mais de 50 mil pacientes já participaram de estudos científicos nos EUA sobre a eficácia e a segurança da vacina. Em nenhum estudo houve qualquer sinal que pudesse indicar que a vacina contra o HPV fosse perigosa para a população.

EFEITOS COLATERAIS DA VACINA CONTRA HPV

É sempre lembrar, que assim como qualquer vacina, a vacina contra o HPV pode causar efeitos colaterais leves, como dor no local na injecção, dores de cabeça, tonturas e náuseas. Como a vacina será administrada em milhões de pessoas, é natural que nos próximos meses e anos sejam reportados vários casos de efeitos colaterais leves. Isso, porém, não significa que a vacina seja perigosa e não deva ser tomada. Várias outras vacinas presentes no calendário vacinal há décadas também apresentam efeitos colaterais leves frequentes.
Só como exemplo, um estudo americano conduzido pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) demonstrou que entre 2006 e 2013 foram administradas mais de 57 milhões de doses da vacina quadrivalente. O número de casos de efeitos colaterais reportados foi de cerca de 21 mil, ou seja, 0,03% das vacinações. Destes 21 mil, 19 mil foram efeitos colaterais leves, como dor no local da injeção. Nos restantes 2000 casos considerados moderados a grave (0,003%), a maioria foi de náuseas, vômitos, mal-estar, dor de cabeça, tonturas, hipotensão, febre, desmaios e fraqueza generalizada.
Até 2011, 34 mortes haviam sido reportadas após a administração da vacina. Porém, em nenhuma delas foi possível estabelecer uma relação direta com o fato do paciente ter sido vacinado recentemente.
Também não há evidências de que a vacina contra o HPV aumente o risco da ocorrência da síndrome de Guillain-Barré. Um estudo também conduzido pelo CDC entre 2006 e 2012 mostrou que após 1.4 milhão de doses da vacina Gardasil contra o HPV, a taxa de novos casos de Guillain-Barré nas mulheres vacinadas era semelhante a taxa de Guillain-Barré na população não vacinada.
Dois efeitos colaterais, porém, parecem ser mais comuns na vacina contra HPV do que em outras vacinas: síncope (desmaios) e trombose venosa. Ainda assim, dos 31 casos reportados de trombose venosa dos membros inferiores, 29 ocorreram em pacientes que apresentavam fatores de risco para trombose, como uso de anticoncepcionais hormonais ou história de doenças da coagulação. Portanto, não há dados para afirmar que a vacina tenha tido alguma relação com os casos de trombose.
Pelo baixo, mas real, risco de desmaios, sugere-se o que o paciente fique 15 minutos em repouso após a vacinação. É importante destacar que desmaio após vacinação é um evento relativamente comum para todos os tipos de vacina, principalmente nos pacientes jovens que têm medo de agulha.

 lista com sete vacinas que os adultos precisam tomar

As doenças crônicas que se manifestam mais na vida adulta são fortes indicadores de que o individuo precisa se vacinar. "As pessoas que estão em grupos de risco, como as pessoas com mais de 60 anos ou aquelas que têm doenças crônicas, devem sempre estar informadas sobre a vacinação", diz o infectologista Paulo Olzon, da Unifesp.
Existem vacinas tanto para bactérias como para vírus. "No primeiro caso, a vacinação é feita para controlar surtos epidemiológicos e, para o caso dos vírus, a imunização normalmente dura a vida toda, sendo necessárias apenas algumas doses de reforço para garantir que a doença não vai mais voltar", diz Paulo Olzon. Confira sete tipos que merecem estar na sua carteira de vacinação.
Vacina dupla tipo adulto - para difteria e tétano
A difteria é causada por uma bactéria, que é contraída pelo contato com secreções de pessoas infectadas. Ela afeta o sistema respiratório, causa febres e dores de cabeça, em casos graves, pode evoluir para uma inflamação no coração.
A toxina da bactéria causadora do tétano compromete os músculos e leva a espasmos involuntários. A musculatura respiratória é uma das mais comprometidas pelo tétano. Se a doença não for tratada precocemente, pode haver uma parada respiratória devido ao comprometimento do diafragma, músculo responsável por boa parte da respiração, levando a morte. Ferir o pé com prego enferrujado que está no chão é uma das formas mais conhecidas do contágio do tétano.
A primeira parte da vacinação contra difteria e tétano é feita em três doses, com intervalo de dois meses. Geralmente, essas três doses são tomadas na infância. Então confira a sua carteira de vacinação para certificar-se se a vacinação está em ordem. Depois delas, o reforço deve ser feito a cada dez anos para que a imunização continue eficaz. É nesse momento que os adultos cometem um erro, deixando a vacina de lado. 
Vacina Tríplice-viral - para sarampo, caxumba e rubéola
Causado por um vírus, o sarampo é caracterizado por manchas vermelhas no corpo. A transmissão ocorre por via respiratória. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a mortalidade entre crianças saudáveis é mínima, ficando abaixo de 0,2% dos casos. Nos adultos, essa doença é pouco observada, mas como a forma de contágio é simples, os adultos devem ser imunizados para proteger as crianças com quem convivem.
Conhecida por deixar o pescoço inchado, a caxumba também tem transmissão por via respiratória. Mesmo que seja mais comum em crianças, a caxumba apresenta casos mais graves em adultos, podendo causar meningite, encefalite, surdez, inflamação nos testículos ou dos ovários, e mais raramente no pâncreas.
Já a rubéola é caracterizada pelo aumento dos gânglios do pescoço e por manchas avermelhadas na pele, é mais perigosa para gestantes. O vírus pode levar à síndrome da rubéola congênita, que prejudica a formação do bebê nos três primeiros meses de gravidez. A síndrome causa surdez, má-formação cardíaca, catarata e atraso no desenvolvimento.
O adulto deve tomar a tríplice-viral se ainda não tiver recebido as duas doses recomendadas para a imunização completa quando era criança e se tiver nascido depois de 1960. O Ministério da Saúde considera que as pessoas que nasceram antes dessa data já tiveram essas doenças e estão imunizados, ou já foram vacinados anteriormente.
Mesmo que todos com essas características devam ser vacinados, as mulheres que pretendem ter filhos, que não foram imunizadas ou nunca tiveram rubéola devem tomar a vacina um mês antes de engravidar, já que a rubéola é bastante perigosa quando acomete gestantes, podendo causar deformidade no feto. 
Vacina contra a hepatite B
A Hepatite B é transmitida pelo sangue, e em geral não apresenta sintomas. Alguns pacientes se curam naturalmente sem mesmo perceber que tem a doença. Em outros, a doença pode se tornar crônica, levando a lesões do fígado que podem evoluir para a cirrose. "A imunização contra essa doença é importante, pois ela pode causar problemas sérios, como câncer no fígado", diz Paulo Olzon.
De acordo com o especialista, há algumas décadas, o tipo B da hepatite era o mais encontrado, já que ela pode ser transmitida através da relação sexual e as pessoas não tomavam cuidado com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Depois de uma campanha de vacinação e imunização, e da classificação da hepatite C pelos médicos, ela não pode ser vista como epidemia, mas ainda é preciso tomar cuidado com essa doença.
Até os 24 anos, todas as pessoas podem tomar a vacina contra hepatite B, gratuitamente, em qualquer posto de saúde. A aplicação da vacina também continua de graça, quando o adulto faz parte de um grupo de risco. "Pessoas que tenham contato com sangue, como profissionais de saúde, podólogos, manicures, tatuadores e bombeiros, ou que tenham relacionamentos íntimos com portador da doença são as mais expostas a essa doença", diz o especialista. Fora isso, qualquer adulto pode encontrar a vacina em clínicas particulares.
Pneumo 23 - Pneumonia
O pneumococo, bactéria que pode causar a pneumonia, entre outras doenças, pode atacar pessoas de todas as idades, principalmente indivíduos com mais de 60 anos. "Pessoas com essa idade não podem deixar de tomar a vacina pneumo 23", diz Paulo Olzon.
A pneumonia é o nome dado à inflamação nos pulmões causada por agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos e reações alérgicas). Entre os principais sintomas dessa inflamação dos pulmões, estão febre alta, suor intenso, calafrios, falta de ar, dor no peito e tosse com catarro. Adultos com doenças crônicas em órgãos como pulmão e coração, alvos mais fáceis para o pneumococo, devem tomar essa vacina sempre que há uma campanha de vacinação.
Mesmo que ela seja uma das vacinas mais importantes para ser tomadas é a única vacina do calendário que não é oferecida em postos de saúde. É preciso ir a um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais.
Vacina contra a febre amarela
A febre amarela é transmitida pelo mesmo mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A doença tem como principais sintomas febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (pele e olhos amarelados) e hemorragias. "Se a febre amarela não for tratada, pode levar a morte", explica o especialista.
Por ser uma doença grave, e com alto índice de mortalidade, todas as pessoas que moram em locais de risco devem tomar a vacina a cada dez anos, durante toda a vida. Quem for para uma dessas regiões precisa ser vacinado pelo menos dez dias antes da viagem. No Brasil, as áreas de risco são: zonas rurais no Norte e no Centro-Oeste do país e alguns municípios dos Estados do Maranhão, do Piauí, da Bahia, de Minas Gerais, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Mesmo que os efeitos colaterais mais sérios sejam muito raros, a vacina contra febre amarela deve ficar restrita àqueles indivíduos que moram ou irão viajar para algum lugar de risco. "Nesse sentido, a preocupação dos médicos está relacionada ao risco de reação alérgica grave ou anafilática, que pode levar a morte os pacientes propensos", explica o infectologista Paulo Olzon.
Vacina contra a influenza (gripe)
A vacina contra gripe deve estar na rotina de quem está com mais de 60 anos. "Muitas pessoas deixam de tomá-la com medo da reação que ela pode causar, mas isso é um mito, já que a suposta reação do corpo não tem nada a ver com a vacina, e sim com a própria gripe", diz o especialista. "Isso porque o vírus da gripe fica semanas em nosso corpo sem se manifestar e a proteção da vacina não é imediata como as pessoas imaginam."
A gripe é transmitida por via respiratória, leva a dores musculares e a febres altas. Seu ciclo costuma ser de uma semana. Pessoas com mais de 60 anos podem tomar a vacina nos postos de saúde, enquanto os mais jovens podem ser vacinados em clínicas particulares. "Os idosos que não querem esperar até a campanha anual de vacinação contra a gripe podem tomar a vacina em clínicas particulares em todas as épocas do ano", diz Paulo Olzon. 
HPV
A vacina existe tanto para homens quanto para mulheres e previne os quatros principais tipos do Papilomavírus Humano - o HPV. Segundo o Ministério da Saúde, 137 mil novos casos de HPV são registrados por ano no Brasil. O vírus, transmitido durante a relação sexual, é responsável por 90% dos casos de câncer de colo do útero, além de provocar tumores de vulva, pênis, boca, ânus e pele.
Apesar de existir a vacina bivalente, que protege dos tipos 16 e 18 de HPV e só é aplicada em mulheres, a quadrivalente é a mais indicada, pois protege desses dois tipos citados mais os tipos 6 e 11 e também serve para os homens. "A quadrivalente deve ser tomada em três doses, sendo a segunda dose após 30 dias da primeira e a terceira, seis meses depois da segunda", afirma o ginecologista Amadeu Carvalho Júnior, da Amhpla Cooperativa de Assistência Médica.
A Anvisa recomenda a vacinação em pessoas dos nove aos 26 anos - em especial para aquelas que ainda não iniciaram sua vida sexual, para garantir maior eficácia na proteção. Vale lembrar, no entanto, que a vacina não dispensa o uso de preservativos na relação. "O HPV possui mais de 100 tipos diferentes e a vacina protege apenas de alguns deles", explica o ginecologista Amadeu. 
Vacina para Herpes Zóster
Herpes zoster é uma infecção viral que provoca vesículas na pele e geralmente é acompanhada de dor intensa. É causado pelo vírus varicela-zoster - o mesmo agente da catapora - e acomete pessoas que tiveram catapora em algum momento da vida e ficaram com vírus latente (adormecido) em gânglios do corpo. Anos mais tarde, esse vírus pode reativar na forma de herpes zóster.
Embora não seja uma condição de risco de vida, o herpes zóster pode ser muito doloroso. Um estudo realizado no Brasil revelou que aproximadamente 95% dos adultos já foram expostos ao vírus do herpes zóster. Como o vírus fica latente durante muitos anos, a doença é mais comum em idosos e pessoas acima dos 50 anos.
A vacina é administrada em esquema de dose única, via subcutânea, preferencialmente no braço. "A vacina é indicada para pessoas a partir de 50 anos de idade na prevenção não só da doença, mas também da neuralgia pós-herpética", afirma Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). A neuralgia pós-herpética se caracteriza por uma dor e queimação no local em que o herpes zóster ocorreu, sendo a complicação mais comum da doença. De acordo com Renato, a vacina também ajuda na redução da dor aguda e crônica associada ao Zóster.
A vacina ainda não é distribuída em postos de saúde. Se você tem mais de 50 anos e já foi exposto ao vírus da varicela, converse com seu médico ou médica para entender a necessidade de se vacinar para herpes zóster.

Fonte: Minha Vida





VACINAÇÃO CONTRA HPV NO SEXO MASCULINO

Por Dr. Guido Levi
Hoje em dia já está bem estabelecida a importância da vacina contra o vírus do papiloma humano (VPH ou HPV, do inglês "Human Papiloma Vírus") para o sexo feminino e muitos países já têm programas de vacinação universal de mulheres, a partir dos nove anos de idade. Começa agora, a discussão em torno da utilização da mesma vacina para indivíduos do sexo masculino.
Alguns dados devem ser levados em conta na avaliação do por que vacinar homens.

Vacinação contra HPV em sexo masculino
Por que?
 630 milhões de homens infectados versus 370 milhões de mulheres
 Sexo masculino apresenta resposta imune menos intensa e com títulos anticórpicos menores após infecção natural
 Maior prevalência e menor incidência da doença em homens
 Menor morbimortalidade. Maioria das infecções assintomáticas
No entanto, mesmo acompanhado em homens de menor morbimortalidade, o HPV pode causar doenças que vão desde o desagradável, como o condiloma acuminado, até o muito grave, como os cânceres de pênis, anus e orofaringe. A vacinação do sexo masculino, além da prevenção dessas patologias, traz o benefício de reduzir o reservatório masculino do vírus, e essa diminuição de prevalência seria útil para reduzir o risco de cancer cervical em mulheres.
Em relação às verrugas genitais, que acometem mais que 10% dos homens, cerca de 90% são causadas pelos HPV 6 e 11. Embora, às vezes, sejam somente incômodas, podem ser dolorosas, difíceis de tratar e com frequentes recorrências - até 30%. Em estudo realizado na Austrália, no período de 2004 a 2010, em oito serviços de saúde sexual, Donovan encontrou em pacientes novos, 6,7% de verrugas genitais em mulheres e 9,5% em homens, o que dá bem uma idéia da frequência dessa infecção.
Quanto às doenças neoplásicas, o HPV está relacionado com câncer anal em mais de 80% dos casos, sendo o HPV16 o responsável em 66% e o HPV18 em 5%. Em relação ao carcinoma de cabeça e pescoço, dados brasileiros apontam em 30% a presença de HPV, principalmente 16, e seu encontro em 35% dos cânceres de amígdalas. Nos cânceres de pênis, 40-60% estão relacionados com a presença de HPV. Além disso, ressalta-se que esse vírus pode atuar sinergicamente com outros agentes carcinogênicos, como tabaco e álcool.
Destaque-se ainda que existem grupos especiais que apresentam risco aumentado de patologias relacionadas ao HPV, como os homens que fazem sexo com homens (HSH) e os indivíduos HIV positivos .
Vejamos, então, quais são as informações hoje disponíveis relacionadas com a vacinação do sexo masculino.
Quanto à segurança e tolerância, dispomos de um estudo de Petäjä e col, incluindo 181 indivíduos de 10 a 18 anos de idade, vacinados com a vacina bivalente, e outro de Giuliano e col com 4065 indivíduos de 16 a 26 anos, que receberam o imunizante quadrivalente. Não foram verificados eventos adversos graves e reações sistêmicas foram similares às dos grupos controle. Somente a dor local foi mais intensa, porém, sempre leve a moderada.
Em relação à imunogenicidade, no estudo de Petäjä e col, verificou-se 100% de soroconversão para os tipos vacinais (16 e 18), inclusive com títulos maiores que para mulheres da mesma idade. Com o preparado quadrivalente, Giuliano e col obtiveram 97,4% de soroconversão para os tipos vacinais (6, 11, 16 e 18) e, ainda, 1,5% adicional para três dos quatro sorotipos.
Na avaliação de eficácia para verrugas genitais, Giuliano e col, em indivíduos virgens de infecção e que receberam as três doses programadas, observaram 90,4 de eficácia para os quatro tipos vacinais, após três anos de controle.
Vejamos agora a eficácia na prevenção do câncer anal. Aplicando três doses da vacina quadrivalente em 602 HSH sadios e com idades de 16 a 26 anos, Palefsky e col efetuaram seguimento por três anos. Seus resultados mostraram eficácia para neoplasia intraepitelial anal pelos tipos vacinais de 77,5%, e 54,9% para qualquer tipo de HPV. Além disso, constataram elevada redução - 94,9% - no risco de infecção anal persistente pelos tipos vacinais. Os autores sugerem que resultados em heterossexuais e mulheres sejam semelhantes.
Já Kreimer e col, em estudo com a vacina bivalente para prevenção de câncer cervical com 2103 mulheres de 18 a 25 anos, obtiveram espécime anal em 71% delas e em seguimento de quatro anos verificaram eficácia para câncer anal por HPV16 de 68,2% e para HPV18 de 55,5%.
Na análise custo-benefício verificou-se que quando existem altas coberturas vacinais em mulheres (mais que 80%), modelos matemáticos sugerem que a inclusão do sexo masculino em programas vacinais não é estratégia custo-benéfica para redução do impacto das doenças causadas pelo HPV, com exceção dos HSH, por ser esse um grupo de risco aumentado.
Em conclusão, no presente é difícil pensar numa estratégia de vacinação universal contra o HPV,em indivíduos do sexo masculino, apesar da comprovada utilidade na prevenção de verrugas genitais e alguns tipos de câncer. Já para HSH e HIV positivos pode-se considerar haver forte indicação para a vacinação. Além disso, a vacina tem uso permitido para quem desejar ser vacinado.
No futuro, se houver redução no custo da vacina (atualmente 5 dólares/dose para países do GAVI) e se houver comprovação que menor número de doses (2, talvez até 1) possam ser igualmente eficientes, é provável que se implantem programas de vacinação universal que incluam indivíduos do sexo masculino.
Bibliografia recomendada
1.     Donovan B, Franklin N, Guy R et al. Quadrivalent human papillomavirus vaccination and trends in genital warts in Austrália: analysis of national sentinel surveillance data. Lancet Infect Dis. 2011; 11: 39-44;
2.     Giuliano AN, Palefsky JM, Goldstone S et al. Efficacy of Quadrivalent HPV Vaccine against HPV Infection and Disease in Males. N Engl J Med 2011; 364: 401-411;
3.     Kreimer AR, Clifford GM, Boyle P, Franceschi S. Human papillomavirus types in head and neck squamous cell carcinomas worldwide:  a systematic review. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2005; 14: 467-475;
4.     Miguel RE, Villa LL, Cordeiro AC et al. Low Prevalence of Human Papillomavirus in a Geographic Region With Incidence of Head and Neck Cancer. Am J Surg 1998; 176: 428-429;
5.     MMWR. Recommendations on the Use of Quadrivalent Human Papillomavirus Vaccine in Males – Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP), 2011. MMWR 2011, Dec; 1705-1708;
6.     Palefsky JM, Giuliano AR Goldstone S et al. HPV Vaccine against Anal HPV Infection and Anal Intraepithelial Neoplasia. N. Engl J Med 2011; 365: 1576-1585;
7.     Petäjä T, Keränen H, Karppa T el at. Immunogenicity and Safety of Human Papillomavirus (HPV) – 16/18 ASO4 – Adjuvanted Vaccine in Healthy Boys Aged 10-18 years. J Adolesc Health 2009: 44: 33-40;
8.     Snow AN & Laudadio J. Human Papillomavirus Detection in Head and Neck Squamous Cell Carcinomas. Adv Anat Pathol 2010; 17: 394-403;
  1. Steben M. HPV Vaccine to GAVI for US$ 5 per Dose! J bras Doenças Sex Transm 2011; 23: 3-4.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Drogas e doces

Inúmeras evidências científicas demonstram que o comer compulsivo e o consumo de drogas envolvem circuitos cerebrais com funcionamento semelhante. Essa constatação tem oferecido nova compreensão da obesidade e aberto caminhos para possibilidades de tratamento. Mas, afinal, que circuitos do cérebro são ativados pela adicção – seja de comida ou de substâncias tóxicas?

O sistema neural ativado tanto pela ingestão compulsiva de alimentos quanto pelo consumo de drogas é basicamente o circuito que evoluiu para recompensar comportamentos essenciais à sobrevivência. Em geral, as pessoas são atraídas pelos alimentos porque isso é recompensador e produz prazer. Quando experimentamos prazer, nosso cérebro aprende a associar essa sensação com as condições que o predispõem a isso. Essa memória fica mais forte à medida que, nesse ciclo, a predição, a busca e a obtenção do prazer são repetidas e tornam-se, aos poucos, mais frequentes, criando condicionamento. E as drogas são eficientes nesse processo.

Estímulos naturais como comida ou sexo levam mais tempo para ativar o circuito da recompensa. O condicionamento, porém, estabelece um elo entre a memória, o estímulo e o ambiente. É exatamente isso que a natureza “pretende”: se a ação necessária para atingir uma experiência prazerosa for disparada exclusivamente pelo estímulo em questão, a resposta condicionada será muito ineficiente. Uma vez criada a memória condicionada, a resposta torna-se um reflexo – presente no uso abusivo de drogas e na ingestão compulsiva de alimentos.
Por essa razão, alimentos altamente calóricos são mais propícios a desencadear um desejo compulsivo por comida. Como os caçadores, nem sempre conseguimos uma presa, e alimentos calóricos, com grandes quantidades de energia, contêm um apelo maior: a suposta garantia de sobrevivência. Ao longo do processo evolutivo, fomos compelidos a consumir a maior quantidade de comida que pudéssemos encontrar. E esses estímulos serviam de reforço. Mas, agora, quando abrimos a geladeira, temos 100% de certeza de que vamos encontrar alguma coisa para comer. Nossos genes mudaram pouco, mas em nosso entorno estamos sempre cercados de alimentos com altos teores de açúcar e gordura, que contribuem para o aumento da obesidade.

Crises de desejo

Se Pavlov pudesse analisar o funcionamento do cérebro dos cães que utilizava em seus experimentos, provavelmente teria notado um aumento na dopamina sempre que os animais viam a luz que tinham associado à oferta de carne. A dopamina nos informa sobre o que é importante: pequenos indícios de informação inesperada a que precisamos estar atentos para poder sobreviver – alertas sobre sexo, alimento, prazer, perigo e sofrimento. Ao mostrar certos alimentos a voluntários de uma pesquisa, previamente condicionados, é possível observar um aumento de dopamina no striatum, região do cérebro envolvida nos processos de recompensa e motivação comportamental.

Mas é preciso observar que esse aumento de dopamina só ocorre quando os participantes do estudo, já avisados de que não poderiam comer o alimento, apenas o olham e o cheiram. E esta é exatamente a mesma resposta neuroquímica que surge quando dependentes químicos assistem a um vídeo de pessoas consumindo drogas ou qualquer outra imagem relacionada. A mensagem recebida quando a dopamina é liberada no striatum é a de que é preciso agir para alcançar certa meta, no caso, obter o objeto de desejo.

No cérebro de dependentes de drogas e de pessoas obesas também encontramos um número reduzido dos receptores dopamina D2 no striatum. Talvez essas descobertas revelem que o sistema nervoso está tentando compensar ondas de dopamina liberadas por estímulos contínuos de drogas ou de alimentos. Outra possibilidade é que, de início, essas pessoas talvez disponham naturalmente de poucos receptores, o que pode predispô-las a aumentos crescentes de doenças causadas pela dependência. É interessante notar que encontramos uma correlação negativa entre a disponibilidade de receptores D2 em indivíduos obesos e seu índice de massa
 corpórea (IMC); ou seja, quanto mais obesa for a pessoa, menos receptores ela tem.
Predisposição a excessos

Parece haver, portanto, indivíduos mais predispostos ao uso de drogas ou a comer demais. Estudos realizados com gêmeos mostram que aproximadamente 50% do risco para as duas tendências é genético. Mas os genes envolvidos começam a atuar em níveis muito diferentes – há variações em relação à eficiência com que metabolizamos certas drogas ou alimentos, à inclinação para nos arriscarmos ou nos engajarmos em comportamentos exploratórios que oferecem riscos mais específicos e no que diz respeito à sensibilidade que sustenta o sistema de recompensas de cada um.

Nos casos de obesidade, algumas pessoas podem se arriscar mais ao comer compulsivamente porque podem ser excessivamente sensíveis à recompensa por alimentos. Um estudo mostrou que a atividade cerebral de alguns obesos aumentava em resposta a sensações nos lábios, boca e língua. Já outros respondem com muito menos eficiência ao registrar sinais internos de saciedade, ou ao responder a eles, sendo assim muito mais vulneráveis aos desejos desencadeados pelas ofertas de alimento do ambiente.

sobreposição entre dependência e obesidade pode revelar novos alvos para tratamento. Há intervenções farmacológicas ainda não exploradas, como a medicação que aumenta a resposta da dopamina no cérebro. Um desenvolvimento animador é a síntese recente de uma droga administrada oralmente que bloqueia a orexina, um peptídeo que reforça o nível “alto” associado ao consumo de bebidas alcoólicas, e acredita-se que regule sua ingestão. Essa droga poderia ser extremamente útil no tratamento de pessoas que utilizam drogas e comem de forma abusiva. Além disso, devido ao estigma social, tanto a obesidade quanto a drogadicção podem levar o indivíduo a um estado de isolamento, que é muito estressante e desencadeia um círculo vicioso de solidão e autodestruição. Nesses casos, a terapia de grupo pode ser extremamente benéfica.

Injeções de morfina

Quando se fala na associação entre uso de substâncias tóxicas e obesidade, outra área muito promissora de estudo é o uso de imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) em tempo real para ensinar as pessoas a exercitar partes específicas do cérebro. Por esse método, o anestesiologista Sean Mackey, professor do Laboratório de Dor da Universidade de Stanford, e o neurocientista Christopher De Charms, do centro de tecnologia e pesquisas em neuroimagem Omneuron, em São Francisco, treinaram pessoas saudáveis e pacientes com dores crônicas para controlar sua atividade cerebral e modular suas experiências de desconforto. Dessa forma estamos explorando a possibilidade de que se possa usar esse tipo de técnica para ajudar homens e mulheres a controlar a região do cérebro chamada de ínsula, associada ao desejo compulsivo por alimentos e drogas. Os fumantes que tiveram uma lesão nessa área depois de um derrame cerebral parecem perder a vontade de fumar.

Um obstáculo para recuperar comilões compulsivos esbarra numa questão social. Enquanto o usuário de drogas está de certa forma protegido, já que o consumo da droga é ilícito e a substância nem sempre está disponível de forma óbvia, a comida é anunciada e encontrada em qualquer lugar do planeta, nas mais diferentes formas. Uma das intervenções terapêuticas para usuários de drogas, inclusive, é ensiná-los a evitar locais onde seus hábitos são praticados livremente. Mas como fazer isso com comida? É praticamente impossível, o que causa um sofrimento adicional aos obesos, fazendo com que muitas vezes se sintam socialmente excluídos.

Em ratos, verificou-se que se lhes for oferecida uma dieta rica em açúcar e depois for administrado um antagonista opióide chamado de naloxone, pode haver o desencadeamento de carência alimentar semelhante à que ocorre com animais que receberam naloxone depois de repetidas injeções de morfina. Esse resultado indica que a exposição crônica de ratos a dietas com altos níveis de açúcar produz neles dependência física. Nos humanos, ocorre um processo análogo. Dessa forma, verifica-se que intervenções com o objetivo de mitigar os sintomas da retração podem ser benéficas para aqueles submetidos a dietas rigorosas.